2017: Entrando na sintonia do movimento da Roda
- Andréa e Silva
- 20 de mar. de 2017
- 6 min de leitura
Atualizado: 7 de jun. de 2021

Ao somarmos os algarismos que compõem este ano (2+0+1+7) temos como resultado o número 10, que no tarô corresponde ao Arcano Maior chamado de Roda da Fortuna. Este arcano está intimamente ligado ao passar do tempo e ao entendimento de que tudo acontece em seu momento certo. O tempo também é tema deste ano astrológico que inicia em 20 de março e tem como regente o planeta Saturno, conhecido como o Senhor do Tempo.
Após a oportunidade de nos compreendermos melhor através da energia do Eremita (carta regente de 2016), é chegado o momento de – a despeito do aparente caos exterior – compreendermos que há um movimento sábio nesta roda. A Roda da Fortuna é a roda do destino, dos acontecimentos que podem nos trazer grandes chances de mudança e prosperidade em várias esferas da vida – não somente no nível material como a palavra “fortuna” pode nos fazer pensar.
Na imagem da carta vemos 3 figuras ao mesmo tempo animalescas e humanas, sugerindo que quem está no comando são a natureza e os nossos instintos, não o lado racional. E a própria roda indica que há movimento, então as mudanças são certas de acontecerem. Talvez não do jeito que imaginamos ou queremos, mas se formos empurrados em uma direção diferente do planejado, é porque precisamos ver o que este caminho nos reserva. E se não fizermos nosso movimento voluntariamente, a roda irá mover-se de qualquer modo e pode nos surpreender de forma repentina...
É possível que no momento da mudança ainda não consigamos perceber o benefício contido nela, mas certamente uma etapa importante em nossos aprendizados nos aguarda – se estivermos dispostos a enxergar. E se for necessário voltarmos a um determinado ponto para aprendermos algo, as situações podem e certamente irão se repetir. Caso isso aconteça, é uma nova oportunidade de olharmos para aquilo que podemos fazer melhor, para o que aparentemente deu errado, e darmos uma nova chance ao que parece estagnado.
Nem sempre estamos em cima, nem sempre estamos embaixo – estamos em movimento. O convite é abandonarmos a ideia de que estar “por cima” é melhor, e que estar “por baixo” possa ser de alguma maneira pior. As coisas apenas são, e precisam ser/estar assim de acordo com o momento, com o giro da roda. Racionalmente podemos pensar que o progresso acontece ao caminharmos para frente, mas a roda nos diz algo diferente: ao caminharmos em círculos, é possível perceber a mesma situação de diferentes ângulos. Jamais seremos os mesmos em cada novo giro da roda. O desafio é entrarmos na sintonia do movimento que ela indica. Se formos rápido demais podemos nos desequilibrar, se formos muito lentos ela nos atropelará...
E a aceitação é uma atitude necessária para lidarmos com esses movimentos. Primeiro é preciso aceitarmos que não é possível mudar o que já aconteceu; no entanto, somos soberanos em relação às nossas atitudes diante do que aconteceu. Como vamos reagir aos movimentos da roda é de nossa responsabilidade e é aí que podemos fazer a diferença ao aprendermos com ela. Nossa liberdade está no modo como lidamos com os acontecimentos de nossas vidas, e não exatamente no que nos acontece.
Estas mudanças podem vir a mexer com o que acreditamos, com o que pensamos que já está estabelecido e damos como certo e garantido. De fato, só o que está garantido são o movimento e a mudança. De acordo com a sabedoria do I Ching: A única coisa que não muda é a própria mutação. O que permanece é aquilo que muda, que se ajusta ao correr dos tempos.
Tudo sempre irá mudar. E nossa capacidade de adaptação às mudanças é o que define nossa estabilidade, não o fato das coisas permanecerem sempre iguais. Quanto mais estivermos abertos aos imprevistos, mais podemos aprender com eles. E mesmo que as mudanças aparentem vir do mundo externo, somos nós que as estamos catalisando, ainda que de maneira inconsciente.
Ao reduzirmos ainda mais o número 10 deste ano temos 1+0 = 1. O número 1 está relacionado a tudo que está em seu início, e isso pode nos fazer pensar que, qualquer que seja o giro que a roda nos traga, a possível resolução está no início, nos primórdios da situação. É interessante fazer uma investigação interna para encontrarmos as raízes do que estamos vivenciando agora. Possibilidade de separações e reencontros, situações do passado que podem voltar.
De acordo com a imagem, parece que a criatura que está descendo acabou de vir de um encontro com a esfinge e a que está subindo vai de encontro a ela. São elas que fazem a roda girar, pois a esfinge dá impressão de estar parada guardando a passagem. Isto pode significar que, para movermos a roda, é preciso responder à pergunta que a esfinge nos faz. Dessa forma, deixar de enfrentar os desafios não vai fazer com que eles desapareçam.
E caso estejamos passando por uma situação que parece semelhante a algo já vivido, possivelmente é hora de respondermos à perguntas como:
O que a vida quer de mim em relação ao que está acontecendo?
Quais atitudes preciso tomar para fazer com que essa roda gire?
Como disse Veet Pramad sobre esta carta:
As circunstâncias se repetem enquanto não se resolvem.
As situações não chegam para nos castigar ou nos premiar, mas para que aprendamos alguma coisa.
Ninguém as manda para nós – somos nós que as atraímos, nossa própria necessidade de evoluir. O impulso do inconsciente para tornar-se consciente é o que atrai as situações externas.
O conselho da Roda da Fortuna: mantenha-se aberto ao novo e inesperado, você pode aprender muito a respeito de si mesmo e do mundo ao seu redor. Esteja também atento às sincronicidades: nada acontece por acaso, então é importante prestar atenção aos sinais.
Com o Eremita tivemos tempo de nos preparar e de caminharmos em nosso ritmo. Agora a roda gira em sua própria velocidade, então vamos ficar atentos para que ela não nos atropele, procurando saber se é preciso acelerar ou reduzir a velocidade. Flexibilidade é necessária.
Momento também de inovar e colocarmos na prática planos que talvez sejam antigos, mas que nunca saíram de nossas cabeças. Se quisermos ousar, a hora é essa!
Paciência, novos tempos estão a surgir. Como disse Aleister Crowley: Por mais densa e inerte que seja uma situação, chegará o momento em que começará a agitar-se e mudar.
Com a roda aprendemos sobre a impermanência das coisas: não há nenhuma alegria ou situação ruim que dure para sempre, não há nada em nosso universo que não mude. Nem sempre estamos de bem com a vida, nem sempre estamos tristes. Estamos a nascer e morrer de diversas formas e os opostos não excluem um ao outro – são complementares e partes de uma mesma unidade. Nada é totalmente bom ou ruim.
A alternância dos poderes é o que faz a roda girar. O caos não permite que as coisas se acomodem indefinidamente.
Algumas citações a respeito desta carta:
Abrir-se à existência e com ela dançar mesmo nas situações mais difíceis, procurando as causas que determinaram as situações existenciais em que nos encontramos, percebendo tanto a origem do sofrimento e da insatisfação quanto da alegria e da satisfação.
Em vez de reagir criando uma cadeia ininterrupta de ação e reação, é melhor observar, tentar perceber. Pela observação se aprende a transmutar as situações, em vez de querer evitá-las ou eliminá-las.
Budismo tibetano
O desconhecido e o incognoscível, o além, entram em você. Entram porque você nunca está fechado e separado; você não é uma ilha. Você pode ter esquecido o além, mas o além não esqueceu você. A parte pode começar a pensar: “estou separada” – mas o todo sabe que você não está separado. O todo entra em você. Ele ainda está em contato com você. É por isso que o novo continua vindo, mesmo que você não o acolha. Ele vem toda manhã, toda tarde. Ele vem de mil e uma formas. Se você tiver olhos para ver, então o verá continuamente vindo até você.
E só o novo, profunda e totalmente aceito, é capaz de transformá-lo. Você não pode trazer o novo para sua vida; ele vem. Você pode aceitá-lo ou rejeitá-lo. Se o rejeita, você continua sendo uma pedra fechada. Se o acolhe, você se torna uma flor, começa a abrir-se... e nessa abertura está a celebração.
Osho



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